Nos últimos anos, testemunhamos um crescimento exponencial na quantidade de satélites orbitando a Terra. Se por um lado essa tecnologia avança na democratização do acesso à internet e na comunicação global, por outro, ela traz uma preocupação crescente com o lixo espacial e os efeitos ambientais associados.
O aumento de satélites e o impacto na órbita terrestre
A SpaceX, de Elon Musk, lidera essa corrida com mais de 7.000 satélites em órbita e planos de chegar a 42.000 unidades – número que supera todas as constelações anteriores. Contudo, esse fenômeno não se limita à empresa de Musk. A Amazon, com seu projeto Kuiper, já lançou os primeiros satélites de uma frota que pretende rivalizar com a Starlink. Dados do astrofísico Jonathan McDowell revelam que somente em 2023 foram implantados 2.800 satélites, salto expressivo ante os 500 registrados em 2019. Projeções indicam que até 2030 teremos 100.000 dispositivos circulando na órbita terrestre.
O problema do lixo espacial diante da tecnologia em expansão
Com vida útil média de apenas cinco anos (como no caso dos Starlink), satélites desativados viram poeira ao reentrar na atmosfera. Essa queima libera partículas de alumínio (35-45% da composição), cobre e lítio, além de gerar 17 toneladas de alumina apenas em 2022 – equivalente a 30% dos níveis naturais. O processo ocorre a temperaturas de até 1.925°C, capazes de decompor moléculas de nitrogênio e formar óxidos nocivos à camada de ozônio, segundo estudos da NASA.
Consequências ambientais da vaporização dos satélites
Aquecimento estratosférico acelerado
Pesquisas publicadas na PNAS (2023) mostram que metais como chumbo e cobre já superam os níveis de poeira cósmica na estratosfera. Já a fuligem de combustível acumula-se 15 km abaixo da superfície, onde esquenta 500 vezes mais que no solo, conforme estudo de 2022 na Earth’s Future.
Risco químico em escala global
A alumina gerada combina-se com oxigênio, criando compostos que destroem o ozônio por meio de reações em cadeia. Paralelamente, o carbono negro de lançamentos acelera o derretimento de geleiras ao absorver calor – efeito potencializado pela altitude de dispersão.
Legislação e soluções para o problema
Enquanto os EUA mantêm legislação que favorece a queima atmosférica de satélites, cientistas defendem:
- Criação de órbitas-cemitério para satélites inativos
- Redução do tamanho e peso dos dispositivos
- Substituição de materiais poluentes
- Extensão da vida útil para até 10 anos
Empresas como SpaceX e Amazon precisam investir em tecnologias sustentáveis antes que os danos à atmosfera se tornem irreversíveis. O momento é crítico: como alerta a NASA, “a poluição estratosférica pode anular décadas de progresso ambiental”.