Você sabe o que é o Teste de Bechdel? Criado em 1985 pela cartunista Alison Bechdel, o termo surgiu em uma tirinha onde duas personagens debatiam o que esperavam de um filme. A ideia logo gerou discussões sobre a representação feminina no cinema, levantando um importante questionamento: como as mulheres são retratadas nas telonas?
O teste consiste em três regras simples para avaliar a presença feminina na narrativa de um filme. Para “passar” no Teste de Bechdel, um longa precisa:
- Ter ao menos duas personagens mulheres;
- Elas precisam conversar entre si;
- O tema da conversa deve ser algo diverso de um homem.
Filmes que marcaram história no Teste de Bechdel
Embora o conceito tenha se popularizado nos anos 1980, é interessante notar que alguns clássicos do cinema já atendiam aos critérios muito antes de o teste existir. Um exemplo marcante é The Patsy, filme estrelado por Marion Davies em 1928, considerado o primeiro longa de Hollywood a seguir essas diretrizes.
O enredo de The Patsy
O filme segue a história de Patria “Pat” Harrington, uma jovem que se sente sempre relegada a segundo plano, especialmente em comparação à irmã mais velha. Determinada a se destacar, Pat decide “reinventar sua personalidade” para ser mais atraente. Contudo, seus planos não saem como esperado, resultando em situações hilárias e uma reflexão sobre a busca por reconhecimento e autenticidade.
Apesar de ter inicialmente um enredo que parece girar em torno de homens, o filme surpreende ao abordar temas mais profundos e universais, como a individualidade e a autodefinição. Dessa forma, além de entreter, The Patsy reflete o desejo de muitas mulheres da época de serem valorizadas por quem realmente são.
Outros filmes que passam no Teste de Bechdel
Além de The Patsy, vários outros filmes se destacam por preencherem os critérios do teste. Entre eles estão clássicos como:
- Alien, de Ridley Scott;
- Animações do Studio Ghibli, como A Viagem de Chihiro e Memórias de Ontem;
- Twin Peaks e Mulholland Drive, de David Lynch;
- O suspense psicológico Perfect Blue, de Satoshi Kon.
No livro The Feminist Film Guide, Mallory Andrews aponta esses e outros filmes que desafiaram as normas de sua época, contribuindo para discussões sobre igualdade de gênero no entretenimento.
O legado do Teste de Bechdel
O Teste de Bechdel continua sendo uma ferramenta simples, mas poderosa, para avaliar a representatividade feminina no cinema. Ele destaca a importância de oferecer narrativas onde mulheres possuem histórias completas, fora do estereótipo de apenas suportes ou coadjuvantes na vida masculina. Embora o teste sozinho não seja uma métrica definitiva para avaliar diversidade, ele incentiva diretores e roteiristas a expandirem a representação feminina nas telas.
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