Por décadas, gamers de todo o mundo se depararam com as familiares barras de carregamento, aguardando ansiosamente pelo momento em que o próximo nível ou área do jogo estaria pronto. No entanto, uma revelação chocante veio à tona: muitos desenvolvedores de videogames admitem que essas barras, em grande parte, eram apenas um placebo. Este artigo explora a verdade por trás dessa “farsa” histórica e como a tecnologia atual, especialmente os SSDs, está finalmente mudando esse cenário no carregamento de jogos.
Afinal, quem nunca ficou preso olhando para uma barra de progresso que parecia não se mover, ou que travava nos 99%? Essa experiência, para muitos, era sinônimo de antecipação e, ao que parece, mais uma ilusão do que um indicador preciso. A transição para tecnologias de armazenamento mais rápidas está, consequentemente, eliminando a necessidade dessas telas de carregamento demoradas, permitindo que os elementos do jogo sejam carregados em segundo plano, melhorando significativamente a experiência do jogador.
Enquanto os desenvolvedores buscam otimizar cada vez mais a performance dos jogos, outras preocupações com a comunidade gamer também vêm à tona. Recentemente, por exemplo, foi anunciado que Marvel Rivals terá gravação de chats de voz e punições mais severas na Temporada 3.5, visando proteger a comunidade. Isso demonstra um foco crescente das empresas na experiência global do jogador, indo além da performance técnica. Confira mais sobre essa medida no artigo relacionado.
A Grande Ilusão dos Videogames: O Mito das Barras de Carregamento Histórico
Até o início do século 21, era quase uma regra: praticamente todo videogame, seja para PC ou para consoles (especialmente aqueles que usavam formatos como CD-Rom ou DVD), exibia uma tela estática com uma barra de progresso. Milhares de títulos usaram essa famosa tela para indicar o carregamento do próximo nível ou fase do jogo. Todavia, essa representação de progresso era, em muitos casos, uma elaborada fachada.
A discussão sobre essa “farsa” ganhou notoriedade após uma publicação na rede social X do criador de conteúdo e comediante Alasdair Beckett-King (@MisterABK). Ele ironicamente comentou a necessidade de barras de carregamento que “se movam a uma velocidade proporcional ao tempo que realmente leva para um nível terminar de carregar”. Essa observação, que muitos gamers já suspeitavam, abriu as portas para uma série de confissões de desenvolvedores independentes. Em outras palavras, eles confirmaram que a confiança dos jogadores em barras de progresso suaves era infundada, pois muitas delas eram, de fato, falsificadas para dar uma mera sensação de avanço ao jogador.
Por Que a “Cortina de Fumaça”? Entendendo a Estratégia por Trás do Carregamento Falso
A grande questão, naturalmente, é: por que os desenvolvedores optaram por essa abordagem enganosa? Mike Bithell (@mikeBithell), um renomado desenvolvedor, admitiu publicamente que ele mesmo criou jogos com barras de carregamento que se moviam artificialmente. De acordo com sua explicação, a verdadeira indicação de que o carregamento estava ocorrendo não era a fluidez da barra, mas sim os “solavancos” ou as paradas repentinas.
“Os ‘solavancos’ ou a travagem das barras de carregamento são os sinais reais de que o carregamento está ocorrendo, e não o fato de uma das barras ter sido preenchida até uma determinada porcentagem.” afirmou Mike Bithell.
Frequentemente, os jogadores observavam uma barra de progresso que avançava rapidamente até quase 100% e, de repente, parava, levando a uma espera prolongada. Essa experiência era frustrante e, como agora sabemos, pouco representativa do tempo restante. Além disso, outros desenvolvedores, como Raúl Munárriz, do extinto estúdio Tequila Works, também confessaram ter utilizado esse método. Munárriz acrescentou que a técnica servia para “assustar o jogador”, ou seja, para gerenciar a percepção do tempo de espera e evitar frustrações com longas pausas estáticas.
É importante ressaltar, contudo, que nem todas as telas de carregamento são “falsas”. Algumas, de fato, são quantificáveis e fornecem informações precisas. Um exemplo clássico é a tela que aparece no início de alguns jogos, informando quantos “shaders” ainda precisam ser compilados antes que o jogo possa ser iniciado. Nesses casos, a barra é acompanhada por um número que reflete dados reais e mostra o progresso de forma transparente. No entanto, são exceções à regra geral das antigas barras de progresso.
O Fim de Uma Era: A Ascensão dos SSDs e o Fim do Placebo nos Games
Atualmente, com a crescente popularidade dos SSDs, que oferecem velocidades de leitura e gravação muito superiores às dos antigos HDDs, e o fato de que muitos jogos modernos limitam os “carregamentos” à transição entre grandes áreas do mapa (as chamadas mudanças de instância), essas telas de carregamento “placebo” estão se tornando cada vez mais raras. Isso significa que, em breve, as famosas barras de progresso que enganaram gamers por décadas podem se tornar uma curiosidade histórica, um lembrete de uma era em que a percepção do tempo era tão crucial quanto a própria performance técnica. A evolução da tecnologia de armazenamento está, felizmente, nos libertando dessa ilusão no carregamento de jogos.