Spirit of the North 2, a nova aposta do Infuse Studio, chega quase seis anos após o lançamento do seu antecessor, trazendo uma perspectiva ampliada de um mundo místico com novos desafios. No entanto, apesar das boas intenções, o jogo enfrenta problemas que persistem desde a primeira versão, como dificuldades relacionadas à iluminação, travamentos frequentes e problemas de desempenho que frustram a experiência do jogador.
Testado em Xbox Series S para esta análise, Spirit of the North 2 também está disponível para PC, PS5 e Xbox Series X|S. O título mantém o estilo de sua narrativa silenciosa e sensorial, focando na experiência emocional e imersiva do jogador, sem diálogos ou narrações tradicionais. Em vez disso, utiliza efeitos sonoros ambientais, uma trilha sonora atmosférica e fragmentos de história espalhados pelo ambiente, estimulando a reflexão e a interpretação por parte do público.
Uma história simbólica com uma protagonista de quatro patas
A trama apresenta uma sociedade que venerava guardiões místicos, representados por animais como raposas, corvos, cervos, lobos, além do urso. Quando uma guerra liderada por Grimnir ameaça destruir essa ordem sagrada, somente uma raposa sobrevive à devastação. Sua missão é reunir os antigos guardiões espalhados em terras distantes e restaurar a paz, uma narrativa simples, porém carregada de simbolismo sobre união, esperança e renascimento.
O protagonista, uma raposa carismática, é guiada por um corvo que funciona como seu guia e companheiro. Por não haver diálogos, o jogo busca despertar a emoção por meio de momentos de silêncio, efeitos sonoros ambientais e uma trilha sonora que reforça a atmosfera mística, contemplativa e introspectiva. Essa escolha criativa reforça a narrativa não verbal, incentivando o jogador a entender a história por meio de pistas no ambiente e na ambientação sonora.
Desafios, exploração e personalização
O universo de Spirit of the North 2 se expande com um mapa em mundo aberto, distribuído por seis regiões repletas de enigmas, mas alguns desses desafios se tornam repetitivos ao longo do tempo. A personalização da raposa acrescenta um toque estético, permitindo modificar orelhas, focinho, cauda, olhos, tamanho e pelagem, criando uma conexão maior do jogador com o personagem.
Durante a exploração, o jogador coleta cristais, utilizados para adquirir habilidades como planar ou investidas, além de visitar pontos de evolução, como a Toca do Guaxinim — uma pequena loja que vende runas, cosméticos e melhorias — e árvores de pontos de resistência, saúde e capacidade de carga. Apesar dessas possibilidades, os desafios apresentados muitas vezes não oferecem recompensas proporcionais ao esforço despendido, exigindo dedicação significativa para avançar.
Embora o jogo não apresente combates diretos, há encontros com inimigos que exigem soluções que reforçam o tema de restauração e libertação. Esses momentos tornam-se mais estratégicos do que de confronto tradicional, reforçando a narrativa de cura e reconciliação, ao invés de combate por combate.
Problemas gráficos, bugs e desempenho
Visualmente, Spirit of the North 2 impressiona com cenários belíssimos e uma estética envolvente. Contudo, diversos problemas gráficos prejudicam a experiência, sobretudo relacionados à iluminação. Em momentos, a iluminação escura dificulta a visualização de detalhes importantes, como o próprio corvo, que muitas vezes se camufla no cenário, ou obstáculos essenciais para o progresso. Apesar de ajustar configurações, o jogador precisa fazer um esforço extra para enxergar o que está à sua frente, o que pode atrasar o andamento do jogo.
Faltam recursos como um minimapa, que seria fundamental para uma navegação mais ágil pelo vasto mapa, já que muitas regiões apresentam pouca distinção visual, aumentando o risco de se perder ou perder tempo em exploração. Além disso, bugs recorrentes e travamentos continuam presentes, como momentos em que a raposa trava, atravessa objetos ou o cenário causa quedas de desempenho. Esses problemas prejudicam a fluidez do gameplay, causando mortes inesperadas e retrocessos no progresso.
Algumas situações, inclusive, exigem esforço maior do jogador para superar obstáculos, deixando a experiência mais frustrante do que imersiva. Mesmo com as melhorias em gráficos e mecânicas, os erros técnicos permanecem uma grande preocupação, tornando a experiência mais turbulenta do que deveria.
Em resumo, Spirit of the North 2 apresenta boas ideias e uma estética marcante, mas sofre com problemas técnicos, repetitividade de objetivos e dificuldades de desempenho, impedindo que a sequência alcance o mesmo nível de impacto do primeiro jogo. jogadores que apreciam narrativas silenciosas, ambientações contemplativas e uma jornada de restauração podem encontrar aqui uma experiência interessante, desde que estejam dispostos a tolerar suas limitações.
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