O Crescimento e Declínio dos Cartões microSD em Smartphones
Até cerca de 10 anos atrás, cartões microSD eram considerados acessórios indispensáveis para muitos usuários de celulares Android. Eles permitiam expandir a memória interna limitada dos dispositivos, facilitando o armazenamento de vídeos em Full HD e aplicativos com tamanhos cada vez maiores. Naquela época, smartphones de 8 GB ou 16 GB eram comuns, o que tornava a possibilidade de ampliar a capacidade de armazenamento extremamente valiosa.
Durante os primeiros anos do Android, a opção de mover aplicativos e dados para um cartão microSD era nativa e intensamente utilizada. Em 2010, com o Android 2.2 Froyo, os usuários tinham liberdade para transferir apps e arquivos para o armazenamento externo, otimizando o espaço interno do aparelho. No entanto, essa liberdade tinha seu lado perigoso, pois o sistema operacional era mais vulnerável à segurança do que as versões atuais.
Com o avanço da tecnologia e a evolução do hardware, as velocidades de leitura de cartões UHS-1 atingiam cerca de 200 MB/s, embora raramente fossem totalmente aproveitadas. Simultaneamente, os padrões de memória interna, como o UFS, superaram amplamente a capacidade dos microSD, oferecendo velocidades próximas a 1 GB/s em modelos mais recentes, o que evidencia uma mudança de paradigma na tecnologia de armazenamento móvel.
Por que os fabricantes eliminam os cartões microSD?
A eliminação progressiva dos slots para microSD em smartphones ocorreu por vários motivos. Primeiramente, o design unificado e à prova d’água dos celulares monobloco dificultou a inclusão de slots extras, uma vez que esses componentes representam vulnerabilidade à resistência à água e poeira. Além disso, a própria Google começou a restringir as permissões para mover aplicativos para o armazenamento externo, limitando a funcionalidade ao simples armazenamento de arquivos.
Outro fator importante foi o aumento do tamanho dos aplicativos e os requisitos de armazenamento. Hoje, aplicativos como o WhatsApp, Instagram e jogos populares já ultrapassam facilmente 1 GB, tornando inviável mover ou armazenar esses conteúdos em cartões microSD, especialmente por questões de segurança e desempenho. Além disso, os fabricantes estão priorizando a tecnologia UFS em dispositivos de ponta, que oferecem velocidades de leitura e gravação muito superiores às dos microSD, tornando o uso do cartão externo obsoleto na maioria dos casos.
De acordo com estudos, o Android tornou-se mais seguro ao longo dos anos, apresentando uma redução de até 90% no malware graças a ferramentas como o Play Protect e atualizações constantes. Assim, a proteção dos dados internos se tornou prioridade, tornando os cartões SD menos seguros, pois não possuem camadas de criptografia compatíveis com o sistema operacional.
“A segurança do armazenamento interno do Android é uma prioridade, e a proteção dos dados sensíveis é fundamental,” afirmou especialista em segurança digital.
O panorama de armazenamento em 2025
Hoje, a maioria dos smartphones utiliza padrões como UFS 3.1 ou UFS 4.0, que oferecem velocidades de gravação próximas a 2 GB/s, tornando a transferência de grandes aplicativos ou conteúdos multimídia muito mais eficiente. Mesmo assim, alguns dispositivos de entrada ainda suportam cartões microSD, principalmente para uso de aplicativos simples ou armazenamento de mídia, apesar das limitações de velocidade e estabilidade se o cartão for de baixa qualidade.
Portanto, embora o microSD ainda resista em nichos específicos, sua presença ficou mais restrita. Fabricantes e a própria Google direcionaram os usuários ao armazenamento interno de alta velocidade, seguro e integrado ao sistema, refletindo uma tendência que deve continuar nos próximos anos.
Se você deseja manter seu microSD funcionando, escolha modelos de alta qualidade para evitar problemas de estabilidade e desempenho, sobretudo ao usar conteúdos multimídia ou jogos que dependem de leitura rápida.