Nos últimos anos, as redes sociais têm enfrentado um grande desafio ao se manterem relevantes em um cenário de rápida evolução, dominado pela ascensão de plataformas como o TikTok. Nesse contexto, a Meta, sob a liderança de Mark Zuckerberg, está investindo em uma ideia polêmica: os amigos de inteligência artificial. Este conceito visa preencher a lacuna das conexões humanas online utilizando assistentes personalizáveis que imitam interações sociais autênticas.
Segundo Zuckerberg, a real intenção por trás dessa proposta é responder a uma mudança no comportamento dos usuários, que demonstram cada vez menos interesse em postagens de amigos e preferem conteúdo gerado por criadores e algoritmos. Em um recente depoimento em um julgamento antitruste, ele afirmou que a conexão com amigos passou a ser um aspecto secundário dentro das plataformas da Meta.
Conexões e a Implementação de IA
A proposta de integrar amigos de IA ao Facebook já está em andamento. A rede social lançou uma nova aba chamada “amigos”, que busca reviver a experiência do início da plataforma, embora o núcleo disso seja a inclusão de chatbots que aprendem com os dados dos usuários. A meta é criar amizades sintéticas que interajam, consolem e até compartilhem memes, mantendo os usuários ativos e engajados.
No entanto, apesar de um entusiasmo moderado dentro da empresa, a recepção pública tem sido bem mais crítica. Muitos usuários enxergam essa inovação como uma forma de desumanização digital, substituindo relações genuínas por interações programadas. Assim, a Meta parece ignorar o que realmente fez o Facebook prosperar: a conexão humana autêntica.
Desafios para a Meta em Tempos de Crise
Este movimento acontece em um momento crítico para a empresa, que enfrenta investigações antitruste. A Meta é acusada de eliminar concorrentes, como Instagram e WhatsApp, para manter um domínio monopolista no setor social. Além disso, há crescente pressão de grupos que defendem a interoperabilidade entre plataformas, algo que poderia forçar a Meta a adotar uma competição mais justa entre serviços.
O Futuro das Redes com a IA
Os dados apresentados em investigações recentes revelam que o tempo que os usuários passam consumindo conteúdo de amigos tem diminuído drasticamente, de 22% para 17% no Facebook e de 11% para 7% no Instagram entre 2021 e 2023. Essa tendência levanta preocupações sobre as implicações das tecnologias de IA na interação social.
Iniciativas como o programa “Llama for Startups”, que oferece suporte a empreendimentos que utilizam os modelos de IA da Meta, reforçam a ideia de que a empresa está apostando na inteligência artificial como um motor de crescimento no futuro. Eles esperam gerar bilhões de euros com esses novos produtos, independentemente da presença de conexões humanas genuínas.
“Conectar-se com amigos não é mais o foco principal” das plataformas da Meta, afirmou Zuckerberg.
Para os defensores de uma internet mais descentralizada, os amigos de IA representam um futuro distópico, onde plataformas controladas por grandes corporações substituem os próprios usuários. Mesmo assim, para aqueles que ainda acreditam no propósito original das redes sociais, resta a dúvida: quem realmente deseja um amigo que apenas existe para te manter online?