Desde seu lançamento em 2016, o WhatsApp para desktop tem sido um ponto de discórdia para o desempenho de nossos computadores. O que começou como um cliente web lento e ineficiente, baseado no WhatsApp Web, evoluiu em 2022 para uma versão nativa mais ágil e otimizada. No entanto, uma nova reviravolta está prestes a mudar tudo novamente, de acordo com recentes observações do portal Windows Latest, apontando para um preocupante retorno ao consumo excessivo de recursos.
A Evolução e o Retrocesso do WhatsApp para PC
Do “Contêiner Web” à Eficiência Nativa (2016-2022)
Lançado pela Meta em 2016, o WhatsApp para Windows e macOS inicialmente operava como um “contêiner web”. Essa arquitetura, que basicamente encapsulava a versão web do aplicativo, resultava em notável lentidão e um consumo exorbitante de memória RAM. Muitos usuários de PC sentiam o impacto direto no desempenho de suas máquinas, percebendo que o aplicativo “sequestrava” desnecessariamente os recursos do sistema.
A situação mudou drasticamente em 2022, quando a Meta lançou clientes de mensagens nativos para ambas as plataformas, abandonando a tecnologia anterior. Testes realizados pelo site parceiro Xataka na época revelaram uma melhoria substancial: o consumo de RAM no Windows, por exemplo, caiu de aproximadamente 500 MB para impressionantes 100 MB. Da mesma forma, o uso da CPU durante a rolagem diminuiu de 60% para apenas 20%, demonstrando um salto significativo na eficiência da aplicação.
O Alerta: A Versão Beta e a Volta ao Passado
Após esses anos de relativa paz para os recursos dos PCs, a comunidade tecnológica está em alerta máximo. O portal Windows Latest revelou que a versão beta mais recente do WhatsApp para Windows 11 não é mais nativa. Em vez disso, ela retorna à arquitetura de um “invólucro web”, camuflando um navegador interno. Isso significa que o aplicativo pode voltar a ser tão ineficiente quanto era antes de 2022.
A análise dos processos do WhatsApp Beta no Gerenciador de Tarefas do Windows indica que a Meta está utilizando o WebView2, uma tecnologia que permite o uso do motor do Microsoft Edge em aplicativos. Curiosamente, o WebView2 é descrito como a própria versão da Meta do framework Electron, um padrão da indústria para aplicações web em desktop. Embora o WebView2 seja uma tecnologia legítima, o problema reside no abandono da abordagem nativa, que havia provado ser muito mais eficiente, como a UWP (WinUI), nativa do Windows.

O Impacto Direto no Desempenho do Seu Computador
Mais RAM e Menos Velocidade: Os Novos Testes
O retrocesso na tecnologia de desenvolvimento do WhatsApp terá consequências diretas e negativas para os usuários. Sempre que a nova versão for aberta, ela precisará carregar a versão web internamente e, em segundo plano, uma instância completa do navegador Microsoft Edge. Esse é precisamente o mesmo processo problemático que o aplicativo utilizava entre 2016 e 2022, resultando em lentidão e alto consumo.
Os testes recentes do Windows Latest corroboram essa preocupação, demonstrando o retrocesso. A nova versão do WhatsApp Web consome até 30% mais RAM do que a versão nativa atualmente disponível na loja de aplicativos do Windows. Há relatos alarmantes de usuários no Reddit, como o de Digidude23, que conseguiram fazer com que o novo cliente consumisse até 1 GB de RAM – um valor excessivamente alto para um aplicativo de mensagens.

Por Que a Meta Está Retrocedendo? Uma Análise dos Motivos
É paradoxal que a própria Meta tenha defendido publicamente os benefícios dos aplicativos nativos ao lançar a versão de 2022. Em seu site de suporte, a empresa destacou que aplicativos nativos:
- Oferecem “maior desempenho e confiabilidade, mais maneiras de colaborar e recursos que aumentam sua produtividade.”
- São “projetados e otimizados para o sistema operacional do seu computador.”
- Proporcionam “maior confiabilidade e velocidade.”
Com todas essas vantagens tão claras e até mesmo defendidas pela Meta, a decisão de regressar aos aplicativos web parece estranha à primeira vista. No entanto, o setor está recorrendo a essa abordagem por um motivo simples: unificar o desenvolvimento. Criar uma única base de código web permite que as empresas adaptem facilmente o aplicativo para diferentes sistemas operacionais como Windows, macOS, Linux e Android, além de oferecerem a mesma experiência em navegadores.
Embora a otimização e o desempenho do WhatsApp possam ser sacrificados, essa estratégia simplifica consideravelmente os prazos de desenvolvimento e reduz o tamanho da equipe necessária para lançar e manter um projeto em múltiplas plataformas. A questão que permanece é se os usuários do WhatsApp no PC estarão dispostos a pagar o preço em termos de desempenho e uso de recursos do sistema em prol da conveniência de desenvolvimento da Meta. Somente o tempo dirá se essa troca valerá a pena para a experiência do usuário final.
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