As entrevistas de emprego, tradicionalmente estressantes, estão passando por uma transformação impulsionada pela inteligência artificial. Plataformas da startup Apriora e outras empresas estão substituindo vestígios de interações humanas por avatares controlados por IA, o que tem causado desconforto entre candidatos. Segundo relatos, a experiência tem sido considerada desumanizante e até perturbadora, principalmente ao perceberem a falta de conexão emocional nessas conversas.
Um exemplo recente que viralizou no TikTok foi o de Ken, uma jovem dos EUA, que mostrou sua conversa com o avatar de IA chamado Alex. Durante a entrevista, o avatar travou repetindo a frase “pilates com barra vertical” 14 vezes, deixando o participante assustado. Mesmo sabendo que falava com uma máquina, Ken expressou seu desconforto e criticou a experiência, que muitos têm considerado uma forma de desumanização no recrutamento.
Sistemas Automáticos de Contratação e Seus Desafios
Esses sistemas prometem reduzir custos e acelerar as etapas do recrutamento. Segundo a Apriora, entrevistas com IA são “93% mais baratas e 87% mais rápidas”, mas há um custo invisível: a perda da empatia, escuta e conexão emocional com os candidatos. Como destaque, um usuário comentou: “Se eles não se dão ao trabalho de me entrevistar, não vou me dar ao trabalho de trabalhar lá”.
Apesar das vantagens, especialistas alertam que a aplicação excessiva de IA sem uma preparação ética ou técnica adequada tem causado problemas, como travamentos, respostas incoerentes ou falhas de reconhecimento facial e de voz. Além disso, estudos revelam que esses algoritmos podem reforçar viés discriminatórios, rejeitando candidatos com nomes racializados ou perfis fora do padrão majoritário. Uma pesquisa da Universidade de Washington aponta que esses sistemas favorecem homens brancos em 85% dos casos, aprofundando ainda mais a desigualdade no processo de contratação.
Conseqüências e O Futuro da Contratação com IA
A adoção desmedida dessas tecnologias tem criado um ciclo vicioso: candidatos usam IA para turbinar seus currículos e ensaiar respostas, enquanto as empresas automatizam cada vez mais o processo, tornando tudo mais impessoal e injusto. Essa dinâmica acentua a desconexão entre quem busca emprego e quem deveria estar ouvindo, alimentando debates sobre o impacto ético e social dessa inovação tecnológica.
Certamente, o avanço da inteligência artificial trouxe benefícios em muitos setores, mas no recrutamento, o descontrole pode gerar impactos negativos à sociedade e ao mercado de trabalho. Assim, é fundamental refletir sobre a aplicação ética dessas ferramentas, garantindo que sejam usadas para aprimorar, e não substituir, o elemento humano na hora de contratar.
“A tecnologia deve servir para humanizar o processo de contratação, não para torná-lo mais frio e inacessível” afirmou especialista em ética digital.